Luís Rasquilha – CEO | AYR Consulting Worldwide + Inova Business School

12-22 os números da educação – E como as empresas lidam com isso?

Estudos recentes apontam que o tempo médio de concentração de um aluno em sala de aula não vai além dos 12 minutos. 22 quando o tema e o professor conseguem ser uma combinação vencedora. Em aulas de 50 minutos ou de 90 (no ensino superior) é fácil perceber o porquê da quebra de performance, leia-se avaliação (notas) de forma permanente e crescente.

 

Este fato pode ter várias origens e muitos culpados: o mundo conectado e  tecnológico que faz esta nova geração de nativos digitais viver em hipertexto; as salas de aula pouco funcionais para a prática da educação contemporânea; os programas desatualizados e muitas vezes ultrapassados; os métodos arcaicos; os professores conservadores no método e na forma; a reduzida criatividade humana, etc. Poderia enumerar um largo conjunto de razões para as quais estes números são fato e pior, transversais ao ensino como um todo.

 

Mas gostaria de deixar a reflexão neste artigo não para as causas de tamanho problema nem como as empresas têm um papel critico nele, mas para algo que pode ajudar a reduzir esta situação: a estruturação de uma aula. Normalmente estruturamos e planeamos uma aula, como um documento, um livro, um artigo ou uma apresentação por:

1.      Principio – introdução, sumário executivo, pontos principais;

2.      Meio – desenvolvimento do tema, suporte, perspectivas;

3.      Fim – conclusão e próximos passos.

 

Ora se apenas 12 minutos é o tempo médio (MÉDIO?!) de atenção de um aluno é fácil perceber que quando estamos a terminar o Principio ele já desligou e já não está mais ali é fácil perceber que precisamos rever a estrutura da aula. Nesse sentido eu consideraria que devemos ou fazer aulas mais curtas (porque não de 15 minutos) ou começar uma aula pelas conclusões e grandes ideias chave, que permitam por um lado tentar estender a atenção por mais tempo de forma a que todos queiram saber o porquê; deixando o suporte, desenvolvimento e perspectivas para outro momento. Assim os que apenas aguentam 12 minutos retêm a informação fundamental; os que se interessarem vão mais além e complementam a informação com mais conhecimento, têm melhores notas, os professores ficam felizes e todos ganham.

 

Ou seja, talvez o futuro da educação passe por entender que os alunos são diferentes, em vez de querer moldá-los a algo que já está ultrapassado. A pergunta é: como as empresas podem ajudar? Sim porque são elas que vão receber como profissionais aqueles que hoje nas salas de aula estão nesta situação.