Será que toda a publicidade é boa publicidade?

Marta Gonçalves

ARTIGO DE OPINIÃO COM: MARTA GONÇALVES Managing Partner Say U Consulting

Com as eleições legislativas do próximo dia 04 de outubro no radar e ainda bem presente a forma vertiginosa como foi agendada a discussão da Proposta de Lei sobre Auditoria, permito-me falar sobre Reputação, aliada à utilidade da função deputado.

No dia em que foi aprovada a Proposta de Leia sobre Auditoria, o guião de votações ocupava 77 páginas, para aproximadamente três horas de discussão. Uma quantidade significativa dessas mesmas Propostas teve o seu texto disponível, no dia anterior ou dois dias antes. Sendo que é aritmeticamente impossível a leitura integral da totalidade das Propostas de Leis, fica a pergunta: então como é que os nossos deputados votam? Será que a forma como se legislou, ao logo deste ano, não terá sido danosa para a reputação dos deputados?

O valor da Reputação é muitas vezes incompreendido. Este primeiro passo em falso é o ponto de partida para não saber como tirar o melhor partido de um fator que é central ao modo como uma organização se posiciona perante o seu público, e dá a conhecer a sua mensagem.

O conjunto de valores atribuídos e a perceção que o público tem da mesma constituem o primeiro passo na criação de uma relação alargada com o mercado, quer nos estejamos a referir a clientes, parceiros ou à comunicação social e líderes de opinião. A apreciação da atividade de uma organização até ao momento é, tal como ontem mas hoje através de novos processos, relevante para a evolução do negócio.

Para além da qualidade do serviço prestado ou produto disponibilizado, o valor da Reputação sustenta-se na forma como a organização se relaciona com os seus públicos – como processa o seu feedback e o integra na sua atuação, na relação estabelecida com os colaboradores e na atenção prestada à comunidade envolvente – de que a ligação a produtores locais ou instituições sociais é um exemplo. É a soma das partes, a imagem global de uma organização e os valores que associamos à marca.

Perante uma organização tão visível como é a Assembleia da República, quando o conjunto dos valores associados à sua marca não correspondem à forma como esta atua, estamos perante uma potencial quebra na Reputação, que pode ser quase imediata – principalmente se contarmos com os efeitos de multiplicação com origem nas redes sociais –, ou demorar o seu tempo, à medida que os cidadãos percebem as implicações da forma como se legisla.

Se refletissem sobre as sábias palavras do Warren Buffet “it takes 20 years to build a reputation and five minutes to ruin it” talvez agissem de forma diferente e chegassem à conclusão que nem toda a publicidade é boa publicidade.

Uma nota final: são situações como a relatada que tornam urgente a aprovação de uma lei de lobbying que vise também os Deputados. Os interesses serão claros e o processo de decisão mais transparente, contribuindo para a Reputação dos Deputados e da Assembleia da República.