Wall Street Journal aposta no papel para crescer no digital

As três edições do The Wall Street Journal

Dois anos depois do reforço da aposta digital, o The Wall Street Journal lança agora uma nova abordagem com edições impressas. Falamos das edições Europa e Ásia, agora relançadas, com uma aposta clara em conteúdos regionais e integrada com o digital.

“Fizemos um grande progresso em relação ao digital. Toda a nossa organização está agora totalmente integrada e sem separação entre edições impressas e digitais “, revelou Gerard Baker, editor-chefe do The Wall Street Journal em entrevista publicada no site campaignasia.com. “Temos mais conteúdo focado no vídeo digital e gráficos interativos, produzindo assim um jornalismo muito mais otimizado”, declarou.

Uma decisão que muitos especialistas veem como contraditória, ou seja, não fará sentido uma aposta tão forte no papel numa altura em que a informação e os media tendem a ser cada vez mais digitais. “Acreditamos que há uma grande procura ao nível dos nossos produtos impressos, sendo esta uma oportunidade de nos redefinir na paisagem digital”, esclareceu aquele responsável.

Disponíveis de segunda a sexta feira, estas novas edições cresceram de tamanho e alcance. Passaram a ser em formato broadsheet, ou seja o mesmo formato da edição norte-americana, e oferecem agora aos leitores uma ampla e diversificada gama de conteúdos.

As extensões impressas do The Wall Street Journal terão uma distribuição seletiva, em cidades seleccionadas e de acordo com com os interesses dos leitores e interesses comerciais do próprio jornal. Ainda segundo Baker, de forma a coincidir com este relançamento foi também melhorada a experiência móvel para que todos os leitores globalmente possam aceder a conteúdo de maior qualidade e com mais facilidade.

O objetivo da empresa é fornecer conteúdo regional relevante através destas novas edições para a Europa e Ásia substituindo, assim, os atuais jornais compactos e independentes que têm à sua disposição nas duas regiões. No que respeita a conteúdos, destaque para a área de negócios, finanças, economia, política e tecnologia para além das análises, editoriais e colunistas que escrevem para o título original.

No que diz respeito à publicidade nativa, Baker afirmou que não exclui a sua utilização, desde que “seja claro que é publicidade.” “As pessoas confiam em nós e temos que ter cuidado. O leitor tem de ser capaz de perceber sem problemas o que são artigos e o que são editoriais de publicidade nativa”, explicou.

“O crescimento continua a ser a nossa principal prioridade”, frisou Baker afirmando esperar que as assinaturas digitais se posicionem como uma importante fonte de crescimento das receitas nos próximos meses. De acordo com dados fornecidos pelo próprio jornal (auditado pela PwC), tanto a versão digital como a impressa têm 2,2 milhões de vendas médias por edição, com uma base de 1,89 milhões de assinantes globais.