Playboy acaba com a nudez

Playboy acaba com a nudez

Ainda que lhe possa parecer estranho, num futuro não muito longínquo pode ser possível comprar a Playboy para… ler os artigos e conteúdos e não para ver as tradicionais imagens nuas. Nos últimos dias a revista anunciou que, a partir de Março do próximo ano, deixará de publicar as habituais fotos de nus. E, ao que parece, há boas razões para que tal aconteça: não só o facto da pornografia se ter vulgarizado na internet como também o facto de que quanto menos nus houver, maior a possibilidade de haver publicidade na revista.

Esta nova abordagem à revista impressa tem a sua raiz na mudança que aconteceu o ano passado no site Playboy.com, que deixou de ter imagens de nus, conseguindo assim uma presença mais “friendly” no Facebook e construindo um conjunto e conteúdos de lifestyle partilháveis. Desde então o número de utilizadores únicos do site tem aumentado (em cerca de 400%) e a idade média de utilizadores caiu de 47 anos para os 30, segundo revelou a empresa. O melhor de tudo está na parte comercial: desde a mudança que atraiu novos anunciantes. A ideia dos responsáveis é que levando esta mudança para a revista impressa, é possível competir no mercado das revistas masculinas, onde encontramos a GQ ou a Esquire, e assim garantir mais publicidade.

A alteração para a não-nudez poderia também ajudar a ampliar o apelo da Playboy entre as principais marcas, que tendem a ser mais conservadoras. “Esta alteração permite abrir a conversa com os marketeers mais hesitantes em seguir para aquilo que era um ambiente altamente provocador”, disse Robin Steinberg, diretor editorial e digital da MediaVest.

Se os anunciantes vão realmente abraçar a “nova” Playboy é uma incógnita. Mas mesmo que as marcas se sintam motivadas a investir, a revista ainda terá de conquistar o principal público alvo: os millennials. “Leitores e receitas são os dois fatores mais importantes para o sucesso”, disse Steinberg.