E pur si muove (Galileo tem cada vez mais razão)

A opinião de Manuel Falcão

ARTIGO DE OPINIÃO COM: MANUEL FALCÃO –  DIRETOR GERAL NOVA EXPRESSÃO

 

Há uma alta probabilidade de este texto do Buzzmedia estar a ser lido, neste momento, num dispositivo móvel – um smartphone ou um tablet. De acordo com os dados mais recentes, em Portugal, há mais de cinco milhões de pessoas que utilizam Internet em banda larga móvel. Podemos dizer, sem grande margem de erro, que quando este ano chegar ao fim mais de metade da população portuguesa utilizará smartphones e tablets de forma regular para aceder a redes sociais, fazer partilhas de fotografias, consultar emails, ver videos ou ouvir música em streaming, ou fazer buscas na internet. Seria difícil há cinco anos prever este crescimento e, se pensarmos no que era o desenvolvimento previsto há dez anos, vemos como a realidade ultrapassou com facilidade as previsões mais optimistas.
O ritmo a que os utilizadores aderiram aos smartphones é impressionante. A entrada no mercado de novos fabricantes, que apresentam aparelhos de qualidade e baixo preço, provocou um rápido crescimento do mercado. O período de transição dos velhos telemóveis para os novos smartphones é incrivelmente baixo quando comprado com outros períodos de adopção de novas tecnologias. Em poucos anos líderes incontestados como a Nokia foram varridos do mercado.
O tempo que cada utilizador dedica a dispositivos móveis vai também crescendo e a realidade da coexistência de dois ecrãs, o da televisão e do dispositivo móvel, tornou-se rotineira. O pico de espectadores de televisão, o chamado “prime time” é agora coincidente com o pico de utilização de banda larga, seja doméstica seja móvel.
Os dispositivos móveis adquiriram rapidamente uma importância incontornável na ligação das marcas com os consumidores. Com os dispositivos móveis passou a ser possível estabelecer conexão pessoa a pessoa, conseguindo obter bases de dados detalhadas sobre os hábitos e perfis de compra de um número elevado de consumidores, com poder e hábitos de compra, demograficamente incontornáveis e, no caso dos mais novos, que dificilmente conseguem ser impactados por media tradicionais.
Aos poucos as marcas estão a perceber a importância destas ligações mais personalizadas com os consumidores e esta é a grande razão do crescimento verificado no investimento publicitário em plataformas vocacionadas para dispositivos móveis. Esta é uma tendência ascendente. Em 2013, em termos globais, a publicidade em mobile era de 20 mil milhões de dolares e as previsões mais recentes consideram possível que em 2019 se atinjam os 195 mil milhões, com recurso a novos formatos inovadores. Mas os dois grandes pontos diferenciadores do mobile são o poder dos conteúdos video e a capacidade de localização geográfica dos utilizadores, o que permite transmitir mensagens comerciais adequadas ao sítio onde o consumidor está. As possibilidades que esta capacidade de localização oferece vão desde a oferta de descontos e promoções em lojas próximas até sugestões de restaurantes ou espectáculos. O desenvolvimento da compra programática vai ter um impacto decisivo no marketing em plataformas móveis – permitindo operações mais eficazes, mais rápidas e automatizadas. As previsões actuais apontam para que, a curto prazo, 70% da compra programática de publicidade se destine a dispositivos móveis. O mundo está a mudar, os dados são o novo petróleo e as empresas que melhor souberem trabalhar as suas bases de dados – e melhor as analisarem e utilizarem – serão aquelas que conseguirão contactar de forma mais eficaz com os seus consumidores.