João Claro – Diretor Nacional do Programa CMU Portugal

CMU Portugal

Os participantes da última edição do InRes, um programa da CMU Portugal e financiado pela FCT, apresentaram a semana passada os resultados referentes à ultima imersão nos EUA, com o sentimento de missão cumprida. Uma ideia de objetivos alcançados contada à Buzzmedia por João Claro, responsável pelo programa.

 

Que balanço se pode fazer destas duas edições inRes? 

Sentimos que o inRes se está a afirmar como um programa único em Portugal, que permite a jovens empreendedores, com projetos inovadores na área das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), aperfeiçoarem e validarem iterativamente os conceitos de produto e os modelos de negócio em contexto internacional. Esta perceção advém não só do feedback que nos tem sido dado pelas equipas, mas também pela forma como observamos o seu desenvolvimento. O inRes é hoje uma das iniciativas-chave do Programa CMU Portugal, financiado pela FCT, que tem impacto tangível e intangível em projetos e em pessoas, o que nos deixa muito satisfeitos.

 

Em que consistiram estes dois ‘programas’ intensivos nos Estados Unidos? 

O inRes – Entrepreneuship in Residence inclui um período de formação intensiva em Portugal em que as equipas participam em workshops e em reuniões de trabalho com peritos nacionais e da Carnegie Mellon University (CMU). A este período seguem-se cerca de dois meses nos Estados Unidos, em Pittsburgh e na CMU, com enfoque no processo de aceleração do negócio, no desenvolvimento do conceito de produto ou serviço, bem como no reforço das competências de gestão e liderança para projetos de base tecnológica que estão numa fase inicial. As grandes novidades da edição de 2015 foram: a associação da Caixa Capital, como parceiro, o que envolveu a atribuição de um investimento de 50 mil euros a uma das equipas; e a inclusão de uma semana em Silicon Valley onde a CMU tem um campus.

 

Pode dizer-se que os objetivos foram alcançados? 

Sim, o feedback das equipas que têm participado, bem como o seu desempenho posterior leva-nos a acreditar que sim. Durante a sua passagem pelo inRes, assistimos a um crescimento do projeto e da equipa que o lidera. A participação nos workshops em Portugal permite-lhes prepararem bem o período de quase dois meses em que estão nos Estados Unidos. É muito importante que todos percebam o manancial de oportunidades a que estão expostos e que, face a esta realidade, consigam capitalizá-las. Este ano, podemos destacar a realização de mais de 50 reuniões por equipa, a organização de workshops com diferentes públicos e objetivos, mas também a presença em eventos que permitem às equipas ganhar visibilidade, nomeadamente no contexto internacional.

 

Em termos de futuro, o que podemos esperar destes empreendedores nacionais? 

Nada melhor do que falar com as equipas. Aquilo que podemos dizer é que o inRes lhes permite alargar a rede de contatos a nível internacional, mas também adquirir competências profissionais e pessoais que podem ser fundamentais quando falamos em projetos de base tecnológica num contexto global. Algumas startups que participaram no ano passado, integraram nos seus projetos pessoas que conheceram durante o período em que estiveram nos Estados Unidos. Outro aspeto importante que gostava de realçar é o espírito de “família inRes”, que nasce também da profundidade desta experiência: como o período que passam nos Estados Unidos é tão intenso, as equipas depois de regressarem continuam em contato permanente. E isto é algo fundamental no empreendedorismo, porque quando se cria uma startup alguns desafios são idênticos e é essencial poder trocar ideias e experiências com quem já passou ou passa pelo mesmo.

 

O trabalho destas oito equipas é a prova que o empreendedorismo vale a pena e tem viabilidade em Portugal? 

As equipas estão todas em estádios diferentes de desenvolvimento. As da edição de 2014 – Addvolt, Displr, Followprice, Xhockware – já têm “pilotos” a ser testados, têm investimento privado e daqui a pouco tempo terão os seus produtos/serviços no mercado. As da edição de 2015 – AdaptTech, Playsktech, Sceelix, Scraim – no início do ano lançarão os primeiros “pilotos” e apenas uma tem investimento privado: a Scraim. No inRes temos tido projetos e pessoas muito interessantes que pensamos que irão singrar no mercado global.

 

Que iniciativas futuras podemos esperar ao nível do Programa CMU Portugal? 

No próximo ano teremos uma nova edição do inRes, para a qual teremos em consideração o feedback das equipas que participaram nas edições anteriores. Quanto a possíveis novidades, teremos de aguardar mais algum tempo para saber, mas o importante é reforçar que todos os possíveis ajustes que possam vir a ser feitos na dinâmica do programa serão sempre em virtude da sua melhoria e de um maior contributo para os empreendedores portugueses que nele participam.