Entrevista com Filipe Esteves – Diretor Geral da agap2IT

Filipe Esteves agap2IT

Evoluindo de um projeto de startup, a agap2 é hoje uma empresa incontornável no setor das tecnologias de informação. Uma empresa que aproveita o potencial e a qualidade dos engenheiros portugueses e coloca-os ao serviço das empresas em todo o mundo, como explicou, em entrevista à Buzzmedia, Filipe Esteves.

 

Para começar, quem é e o que faz a agap2IT?

A agap2 foi fundada em 2005 como projeto de startup, sendo que a sua evolução nos seus 10 anos, progrediu para uma plataforma de nearshore em Portugal, aproveitando o potencial e qualidade dos engenheiros portugueses, com um foco não só no mercado nacional mas também a nível europeu através da deslocalização de projetos.

A agap2 está atualmente organizada em sete unidades técnicas especializadas e detentoras das competências necessárias para assumir as diferentes fases de um projeto, desde o levantamento de requisitos até à implementação, entrega e manutenção, aplicando as metodologias adequadas a cada fase e ao seu objetivo.

 

Com um percurso de 10 anos, como analisa a crescimento da agap2IT?

O crescimento obtido pela agap2 acontece em grande parte num contexto de crise, facto explicado pela implementação de uma estratégia que passa pelo investimento em novos mercados e novas áreas de negócio, dando continuidade a uma tendência que permitiu a expansão para oito países e a criação de três Centros de Competências para mobilizar e difundir o conhecimento na rede agap2.

 

O setor das tecnologias de informação tem mostrado grande dinâmica no contexto do país. Quais os grandes desafios futuros da agap2IT?

Portugal é um país por excelência com grande vocação para a área de serviços, quer a nível nacional, quer exportando essa capacidade, e que tem, apesar de tudo, demonstrado uma capacidade de evolução e investimento continuo na área das TI, seja a nível de serviços públicos ou no setor privado. O desafio da agap2 passa por uma adaptação da nossa resposta tanto aos desafios internos bem como de nos dotarmos da capacidade de elevar a qualidade do nosso serviço para que possamos capitalizar as nossas competências para o nível internacional, seja em nearshore, seja deslocando os nossos profissionais para o mercado europeu.

Para tal é necessário reforçarmos a nossa relação com os nossos parceiros, uma aposta continua na formação dos nossos profissionais e o investimento em investigação e desenvolvimento para estarmos preparados para os novos desafios tecnológicos que se aproximam.

 

Acredito que um dos grandes focos da agap2IT seja a captação de capital humano. Como tem trabalhado esta vertente?

Em matéria de captação de capital humano, a empresa tem evoluído positivamente, ou seja, a nossa taxa de contratação, face às propostas realizadas tem subido sucessivamente, no entanto, temos vindo a constatar que o número de candidatos que procuram novas ofertas diminuiu.

Para além da contratação de profissionais com experiência, introduzimos também novas ofertas formativas, como por exemplo, a agap2IT Academy, com a meta de acelerar a experiência e o conhecimento de jovens licenciados na área de TI, potenciando a identificação e o recrutamento de jovens profissionais e dotando-os das competências para trabalhar em projetos de consultoria. Com um processo de formação e certificação em soluções tecnológicas, com duração de 6 meses, concluíram o processo de formação na agap2, em 2014, 25 novos consultores.

 

O êxodo de jovens portugueses criou ou tem criado maiores dificuldades nessa captação de capital humano?

O que os profissionais no setor procuram são hoje novas oportunidades e experiências diferenciadoras que lhes possibilitem enriquecer as suas competências, o que apenas no mercado nacional não seria possível. Com o crescimento internacional conseguido pela agap2 foi possível permitir esta mobilidade aos consultores da organização, que a procuram também pela garantia adicional a nível de segurança e estabilidade do grupo. Sendo difícil para um profissional na área aceitar um desafio internacional e partir para uma realidade que pouco ou nada conhece sem suporte adicional, os consultores da agap2 contam com a presença e a estrutura da consultora pela Europa fora, que garantem a sua integração e acompanhamento.

Para além da valorização clara dos profissionais, a experiência em projetos internacionais e o conhecimento adquirido relativamente a outras áreas de mercado e novos métodos de trabalho constituem, sem dúvida, mais-valias adicionais de qualidade, capacidade e competência da agap2. Tornam possível uma melhor preparação para responder a desafios cada vez maiores e de dimensão internacional.

 

Sendo uma empresa virada para o negócio B2B, há toda uma dimensão de marca junto das pessoas que não se pode descurar, também na procura dos melhores recursos e da visibilidade necessária para conseguir os melhores candidatos. Qual o eixo comunicacional da empresa?

A mensagem que passamos para o mercado centra-se em expressar a vontade de posicionar a agap2 enquanto parceiro especialista junto dos seus clientes e colaboradores.

Neste sentido, procuramos evidenciar o potencial da organização para criar valor através do capital humano da consultora, promovendo a proximidade de relações e a sua valorização na organização. A mensagem em torno desta ótica pauta-se não só por um esforço em recrutar os melhores consultores mas possibilitar a sua verdadeira evolução.

A própria evolução e crescimento da agap2, a nível nacional e internacional, comprovam a nossa estratégia de reforço da marca. O fortalecimento da relação com os nossos parceiros bem como o investimento contínuo são os pilares de comunicação que nos permitem chegar ao mercado.

 

E neste contexto da comunicação, quais os grandes desafios?

O desafio constante passa por compreender a realidade do mercado e as necessidades e objetivos dos profissionais no setor. Apenas possuindo uma visão clara acerca do que os consultores sentem em relação a esta atividade profissional e à organização em particular se torna possível desenvolver um esforço de comunicação que seja efetivo.

A dinâmica do mercado significa também que a comunicação implementada tem necessariamente de incluir uma preocupação com a diferenciação da organização, evidenciando o que a torna única e colocando particular atenção no que a distingue das demais oportunidades de carreira no mercado.