Entrevista com Manuela Botelho – Secretária-geral da APAN

Manuela Botelho da APAN

Os Millennials vão estar em destaque na próxima conferência anual da APAN, já no próximo dia 14 de janeiro. Um grupo de indivíduos cada vez mais preponderante para as empresas e que representam “um novo mundo com diferentes desafios” para anunciantes e marcas, no entender de Manuela Botelho em entrevista à Buzzmedia.

 

Este ano a conferência anual da APAN é dedicada aos Millennials. Como surgiu esta ideia?

O objetivo de todas as Conferências da APAN é despertar a comunidade dos anunciantes para os problemas e para as oportunidades que estão à nossa frente. Neste caso específico, mais do que dedicar a conferência aos Millennials, queremos debater sobre a importância de ter os consumidores no centro da atividade de marketing, no sentido de sermos eficazes a passar a mensagem.

 

É uma inevitabilidade os anunciantes prestarem uma atenção diferente a este grupo?

Trata-se de um grupo constituído por pessoas que nasceram nos anos 80, que cresceram em tempos de desenvolvimento económico, que foram altamente treinados e educados e atingiram a idade adulta no período da maior crise económica que já conhecemos. Esta geração tem, por isso, valores completamente diferentes das gerações anteriores.

Para as marcas os millennials são, de facto, uma grande incógnita porque é difícil entender e perceber bem como é que eles são e o que querem, o que procuram. É uma geração que vivenciou muitos avanços tecnológicos, e por isso é ávida por inovação e diferenciação. Os millenials são criativos, idealistas, não dão muita importância ao dinheiro para serem felizes, e são muito críticos com as regras sociais, entre muitas outras características.

 

O que os torna tão preponderantes na sociedade atual?

Para os anunciantes e para as marcas os millennials são um novo mundo com diferentes desafios. O marketing tornou-se muito mais complexo face aos vários caminhos que hoje temos disponíveis para chegar até eles. Os media sociais, as plataformas online, os motores de busca estão em constante evolução, e os lugares onde as pessoas podem ser abordadas mudaram significativamente nos últimos anos. Tal como mudaram os conteúdos a que estão atentos e aos quais dão importância. Adicionalmente, temos um consumidor mais exigente, mais egoísta, que tem o controlo e que diz viver bem sem marcas: valoriza mais o propósito do que o lucro.

 

Falando da conferência, o que podemos esperar de mais uma iniciativa da APAN?

A expetativa é elevada, claro, mas acredito que esta conferência trará inputs relevantes para o setor. No fundo, podemos esperar aquilo que tem sido desde sempre o nosso objetivo: estar atentos às grandes preocupações, ansiedades e oportunidades dos anunciantes, em relação a um mundo que está a mudar a uma velocidade estonteante. Trazemos convidados nacionais e estrangeiros de altíssima qualidade que vêm abordar e discutir de forma aberta o tema “Do they get your message?”, já que é esse o grande propósito desta atividade e é para isso que as empresas investem em comunicação.

 

Stephan Loerke é o convidado especial da edição de 2016. O que se pode esperar da sua intervenção?

Todos os nossos convidados são especiais e muito relevantes, cada um na sua área. O Stephan Loerke enquanto ex-marketer e hoje como Diretor Executivo da Federação Mundial de Anunciantes (WFA) – que congrega 90% da totalidade do investimento mundial em publicidade – vem abrir a conferência estabelecendo este novo contexto em que vivemos, baseado num conjunto de estudos e informação privilegiada a que tem acesso.

 

Antevendo um pouco o que vai ser 2016, quais as perspetivas para a publicidade para o novo ano?

O ano de 2016, não nos parecendo altamente prometedor do ponto de vista do crescimento económico – quer pela potencial instabilidade política quer pelo contexto social em que estamos –, vai continuar a colocar à prova todas as empresas dos mais diversos setores. Espero que a palavra “colaboração” passe a fazer parte do léxico da indústria da comunicação de uma forma mais aprofundada e integrada para que, assim, esta possa continuar a dar o seu contributo fundamental para o desenvolvimento económico, social e cultural do nosso país.

Conferência APAN