Rui Nascimento Alves – Autor do Livro “Segurar Loucos ou Empurrar Elefantes”

Rui Nascimento Alves

Acabou de chegar ao mercado o livro “Segurar Loucos ou Empurrar Elefantes – Conversas sobre Gestão de Pessoas com Líderes Empresariais Portugueses”. Um livro que reune entrevistas a lideres de 30 organizações como contou à Buzzmedia Rui Nascimento Alves, o autor do livro.

 

Como surgiu a ideia para escrever este livro “Segurar Loucos ou Empurrar Elefantes – Conversas sobre Gestão de Pessoas com Líderes Empresariais Portugueses”? 

A minha vida nos últimos 20 anos tem sido trabalhar em áreas de liderança e gestão de pessoas e equipas, em contexto organizacional (sobretudo empresas multinacionais). Interessava-me conhecer o que se tem passado nas organizações portuguesas de maior relevo em certos sectores (excluindo as maior e mais tradicionais) e o que os seus líderes fizeram perante a crise económica e social mais recente – e foi a isto que me propus. Tenho alguns projectos editoriais em mente e este foi um primeiro, a solo.

Quem comprar o seu livro com o que pode contar? 

Quem comprar o livro encontrará um conjunto de testemunhos, em formato de conversa de fim de dia, obtidos por entrevistas a líderes de 30 organizações nacionais que tiveram de se superar e encontrar novas soluções, através das suas pessoas, para se manterem competitivas.

Para além disso, contribuirá com parte do valor do livro (o que corresponde aos meus direitos de autor) para a Operation Smile, uma organização global de ajuda a crianças com fenda do lábio e/ou palato, através de cirurgias reconstrutivas, em países de baixos recursos.

Como chegou à selecção final de 30 testemunhos? Acredito que não tenha sido um trabalho fácil e imediato… 

Pretendi seleccionar um grupo de organizações de relevo, de capital exclusivamente português e com um(a) líder português(a), que representasse uma diversidade ampla de sectores de negócio. Não necessariamente as maiores empresas (ou as mais conhecidas e detentoras de bastante mais recursos), e de entre essas as que se destacassem e representassem pelo seu posicionamento, estratégia e práticas na gestão de pessoas. O grupo de empresas foi evoluindo e alterando-se, até atingir este número que entendi representativo e suficiente para o livro. Assumo que gostaria de ter entrevistado bastante mais líderes femininas, mas infelizmente o universo actual de empresários não ajuda.

Hoje em dia um líder que decida investir e inovar é um louco? 

Será um louco saudável, diria, pois sem investimento não se mantém uma organização, e não se será líder de nada ao fim de algum tempo.

Todos estes empresários e empresárias, sem excepção, revelam um perfil aguerrido, muito focado nos seus mercados e clientes, na ambição de expandirem as suas empresas para além dos limites nacionais (grande parte destas empresas tem vindo a consolidar a sua posição em mercados além-fronteiras), e no superior interesse de se manterem sólidos, sustentáveis e a permitirem empregar recursos nacionais, assegurando emprego e sustento aos seus colaboradores e respectivas famílias.

Ficou de alguma forma surpreendido com os testemunhos que foi recolhendo? O que mais o impressionou? 

O formato de entrevista revela o mais genuíno de cada líder e muitas das suas histórias de vida, experiências e testemunho surpreenderão o leitor, certamente. O que mais me impressionou foi o facto de que estas organizações nacionais, apesar da adversidade dos tempos mais recentes, de um ciclo económico e social extremamente desfavorável, conseguiram manter-se viáveis, tornar-se mais robustas, lançar e desenvolver novos negócios, inovar, exportar e, com tudo isso, tornaram-se mais competitivas e rentáveis. Para tal, aproximaram-se mais ainda das suas pessoas, envolverem os seus gestores e equipas em torno de uma visão única, de objectivos comuns, comunicaram permanentemente e reconhecerem os seus sucessos e fracassos, de forma sistemática. Exigiu, de facto, esforço consistente.

Sente que o seu livro acaba por ser um “grito” de positivismo para as empresas nacionais e para os empreendedores? 

Gosto de pensar que sim. Perguntei a muitos pelas suas receitas de sucesso, e conclui-se que as receitas (se existem) seguiram um padrão bastante simples simples: tratar as pessoas como pessoas, com o respeito, integridade e envolvimento que qualquer um de nós deseja receber e ter na organização onde passa a maior parte do dia. Colaboradores motivados podem alcançar impossíveis, e era (é) o impossível que se pedia a todos num contexto severo de crise económica e social do país. Diria até que a crise vivida ajudou mesmo a que tal acontecesse, ao ponto destes líderes julgarem que, caso não tivessem passado por estes desafios, as suas organizações não estariam hoje tão bem preparadas e a registar tão bons resultados.