Mudam-se os tempos; Mudam-se as vontades

A opinião de Manuel Falcão

ARTIGO DE OPINIÃO COM: MANUEL FALCÃO –  DIRETOR GERAL NOVA EXPRESSÃO

 

O que é que fez com que, ao longo dos tempos, o café e os jornais fossem bons negócios? Simples – o facto de se terem tornado num habito diário. Conseguir que uma app – a abreviação de aplicação usada em smartphones e tablets – se transforme num hábito é o sonho de qualquer programador.

Cada geração tem as suas próprias características e as duas gerações mais recentes foram marcadas pelos desenvolvimentos da tecnologia digital. Uma das linhas que separa a Geração X (que está agora entre os 35 e os 50 anos) dos Millennials foi que este ultimo grupo (que agora tem entre 18 e 35 anos) cresceu já com a internet. E a grande diferença entre os Millennials e a geração seguinte, os Postmillenials como alguns já lhe chamam, é que estes últimos habituaram-se desde cedo a ter e utilizar smartphones ou, se quisermos pôr as coisas de outra maneira, a viver sempre na internet através de dispositivos móveis.

Num recente focus group feito por uma empresa de consultores de marketing nos Estados Unidos uma das perguntas era qual seria a ocasião do dia em que os Postmillennials não estavam online. Uma das repostas surpreendneu os consultores: “só não estou online quando estou no duche”. Pode parecer exagerio mas os indicadores de consumo indicam que esta nova geração vive permanentemente agarrada ao seu smartphone.

Neil Howe, o autor e historiador a quem se taribui o conceito de “millennial generation” defende que a grande recessão dos últimos anos e os seus efeitos colaterais estão a fazer com que a nova geração postmillennial seja mais avessa ao risco, provocando grandes alterações económicas e culturais no seu comportamento. E ainda ninguém sabe como eles se vão comportar – por alguma razão gosta do snapchat, que elimina as mensagens trocadas passado algum tempo.

Embora os grandes anunciantes concentrem os seus esforços nos Millennials, que em grande parte já têm meios para comprar carros, casas e se tornaram consumidores incontornáveis, há um número cada vez maior de estudos a serem feitos sobre os postmillennials a pedido de empresas financeiras e de marketing, assinalava um recente artigo do New York Times sobre a importância do grupo que está dos 17 anos para baixo. Assim sabe-se por exemplo que preferem o Instagram ao Facebook, preferem o snapchat a outros serviços de mensagem e que, nos Esttados Unidos, se estão a tornar fãs da nova rede social com maior crescimento, a Wishbone, que ao fim de um ano tem já três milhões de utilizadores mensais.

Um estudo da Pew Research indica que cerca de três quartos dos teenagers norte-americanos têm acesso a um telefone móvel com internet, a maioria vai diaremente à internet e um quarto deles usa a internet de forma quase constante.

Se olharmos para o mercado americano observamos que neste ano os investimentos publicitários previstos dentro das apps mais usadas, quer em iOs quer em Android, deve rondar os 30 mil milhões de dolares, o dobro do que foi investido em 2014.

As apps podem ser um negócio brutal onde alguns poucos gigantes, como o Facebook e o YouTube captam a maior parte do dinheiro, mas nem tudo o que é app é ouro. Um utilizador norte-americano de smartphones utiliza em média 27 aplicações por mês, mas pssa quase 80 por cento do seu tempo online em apenas cinco – revela um estudo recente da firma de consultoria Activate. Quem consegue integrar esse pelotão da frente é que obterá as maiores receitas – e esta é das corridas mais disputadas em todo o mundo.