O futuro está ao virar da esquina ou mesmo dentro do automóvel

A opinião de Manuel Falcão

ARTIGO DE OPINIÃO COM: MANUEL FALCÃO –  DIRETOR GERAL NOVA EXPRESSÃO

 

Já pensaram no impacto que o advento dos carros automatizados pode ter na comunicação, no marketing e na publicidade? Façam este exercício: num futuro não demasiado longíquo deixará de existir a figura dos condutores e todos seremos passageiros. A imagem de alguém, ao volante, a olhar para a estrada será moficiada pela imagem de alguém a olhar para um ecrã onde poderá ler notícias, ver programas de televisão, fazer pesquisa, ser contactado, trabalhar. O auto-rádio como fonte de informação dos automóveis será substituído por um dispositivo móvel que fará parte do próprio veículo, que conhecerá bem o seu proprietário, as suas preferências e, muito provavelmente as das pessoas que com ele convivem habitualmente. Num artigo recente do site TechCrunch Loni Starck chamava a atenção para este ponto: há uns anos atrás, quando a electrónica conseguiu estabelecer um mecanimso fácil de comando dos elevadores, a profissão de ascensorista desapareceu. Aquilo a que estamos a começar a assistir no campo dos veículos auto-conduzidos não será muito diferente.

Todos conhecemos o avanço enorme que os dispositivos móveis tiveram nos últimos anos e a forma como eles rapidamente se tornaram no ponto de contacto mais frequente de uma geração que é essencialmente digital. Um estudo recente, a propósito do Super Bowl de Domingo passado, indicava que a maioria dos Millennials (a geração entre os 18 e 35 anos), planeava, em algum momento, seguir o jogo através de um dospositivo móvel em vez do tradicional ecrã de televisão.

Nos Estados Unidos o tempo médio gasto em deslocações diárias de automóvel ronda as duas horas – imagine-se a janela temporal que isto coloca em termos de oportunidade de contacto com as marcas. Em vez de olharem para os outdoors na estrada, os ocupantes dos veículos vão poder ver nos seus ecrãs mensagens dirigidas em função dos seus gostos pessoais ou do local onde estão – chamadas de atenção para promoções especiais em grandes superfiícies comerciais próximas, chamadas de atenção para menus de restaurantes no trajecto, um sem-número de informações úteis que irão alterar completamente a forma como os tempos gastos em deslocações podem ser utilizados pelos marketeers e pelos passageiros. Na realidade, como Elon Musk, o fundador dos automóveis Tesla e um dos grandes defensosres dos veículos auto dirigidos afirma, os carros do futuro vão conhecer os seus ocupantes e dar-lhes exactamente o que eles gostam de ver. 90% dos acidente rodoviários são provenientes de erro humano e Musk acredita que o futuro será mais seguro graças ao avanço da tecnologia.

Tudo isto vai demorar algum tempo a acontecer, mas o caminho em direcção aos veículos auto dirigidos é já irreversível e tudo indica que, à semelhança do que tem acontecido recentemente com outras tecnologias, a sua implementação será mais rápida do que as previsões consideram. Musk acredita que estes novos veículos vão ajudar a melhorar a experiência de cada um nas deslocações diárias e auxiliarão a uma melhor planificação do dia, desde o tempo de trabalho até aos momentos de lazer.

Estes são tempos de mudança. E ela acontece sempre mais depressa do que aquilo que pensamos. Na realidade os automóveis auto dirigidos vão permitir aos seus ocupantes um tempo livre acrescido, que cada um utilizará como entender. Até a fazer compras on line…