Ana Paula Costa, representante portuguesa dos Cannes Lions

Ana Paula Costa , Young Lions

A representação portuguesa já começou a preparar mais uma edição dos Young Lions. Decorre até ao próximo dia 7 de março a primeira fase de seleção dos talentos nacionais que irão representar Portugal no próximo mês de julho. Uma seleção que este ano encerra um processo diferente, dividido por duas fases que vai colocar à prova toda a criatividade dos participantes, coisa que não deverá faltar, com o contou Ana Paula Costa em entrevista à Buzzmedia.

 

Em ano de 20º aniversário, que balanço se pode fazer da participação portuguesa nos Young Lions?

Nesta secção do Festival Cannes Lions, cujo principal objtivo é promover e estimular jovens talentos mundiais, Portugal tem um bom palmarés, ocupa o 5 º lugar no ranking mundial dos países mais premiados, o que naturalmente avaliamos como muito positivo.

 

É, de alguma forma, surpreendente os níveis de criatividade apresentados pelos portugueses?

Os Portugueses têm demonstrado um enorme potencial neste e em outros domínios, assim tenham condições para o desenvolver.

 

Neste domínio da criatividade, quais os caminhos para uma evolução da criatividade portuguesa?

Toda a indústria está claramente a atravessar um período de transição, em busca de novos modelos, como resposta por um lado a um crescente dinamismo da revolução digital, por outro lado pela rápida mudança de paradigmas sociais e de consumo. O que pode fazer a diferença no futuro da criatividade em Portugal, enquanto cluster de competitividade, é a sua estrutura organizacional, quer ao nível da organização das empresas do setor, quer ao nível da valorização do capital humano e da relação entre todos os seus stakeholders. A pujança da indústria passará pelo maior ou menor empenho de todos os agentes do setor (tutela, anunciantes, agências, meios, produtoras e associações) numa participação ativa e articulada, quanto à natureza de novos modelos, a nível legislativo, a nível da relação anunciante/agência, a nível de novos processos de criação com equipas base de formação multidisciplinar, orientadas para projetos ( Flat organizations)etc; passará também pela sua promoção a nível internacional.

 

Qual o estado da criatividade em Portugal?

 

Há uma crise de confiança e apesar de um dos soundbites do momento ser “ o que é mais arriscado, é não arriscar “, a verdade é que há algum receio do risco. Não sendo esta atividade um exercício livre de “arte pura” e por estar ao serviço do marketing, em muito depende da capacidade e vontade de arriscar por parte dos profissionais de marketing. Muitas vezes insights criativos com componentes mais emocionais, são preteridos em detrimento de componentes mais racionais, devido ao receio que más interpretações possam beliscar os resultados e os valores da Marca. À semelhança de outros setores de atividade económica, este setor não é imune às dificeis condições conjunturais que o país atravessa tanto a nível interno como externo. É portanto natural que não esteja a atravessar uma das suas melhores fases. O que não significa que não tenhamos excelentes profissionais, com reconhecimento internacional.

 

Para a nova edição vamos ter uma alteração de formato. Porquê esta mudança?

 

Apesar de considerarmos ter um bom palmarés, achamos que há talento criativo para mais. Daí lançarmos um novo modelo que consideramos ser mais desafiante porque é mais próximo do modelo da competição em Cannes. Acreditamos que este novo formato vem valorizar mais esta iniciativa e todos os que nela participam.

 

Como vai funcionar a competição este ano?

 

Este ano competição passará a ter duas fases: a 1ª decorre até 7 de março e a segunda de 8 a 11 de abril. Na primira fase todas duplas interessadas em participar, submetem o seu Portfólio / CV através do site younglionsportugal.mop.pt . Com base nestas candidaturas um júri selecionará 5 duplas para cada uma das 7 categorias em competição ( Filme; Imprensa/ Outdoor; Cyber; Design; Media; Marketing e Relações Publicas ) e que irão participar na fase seguinte. Esta segunda fase terá um formato muito próximo ao de Cannes, onde as duplas selecionadas irão resolver um briefing durante 48 horas num bootcamp.

 

Que resultados se esperam com esta alteração?

 

Em primeiro lugar esperamos que as 7 duplas selecionadas que vão viajar até Cannes no próximo mês de julho, em representação do nosso País, conquistem mais medalhas para Portugal. Por outro lado esperamos estar a criar um espaço mais inspirador, tanto para quem participa como concorrente, tanto como para todos os parceiros que nos acompanham nesta iniciativa. Esperamos acima de tudo que possa ser um palco de celebração da criatividade nacional.