Luís Santos, Associate Senior Consultant da Mind Source

Luís Santos da Mind Source

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A rede que não esquece

Redes sociais. Sejam elas para fins lúdicos, sociais ou profissionais, o que é certo é que se tornaram parte integrante do nosso quotidiano. Passaram de exclusivamente sociais – nome pelo qual ainda hoje nos referimos a elas – a profissionais e, nelas, as pessoas expõem mais ou menos as suas vidas. Ficam relatadas online para que todo o mundo veja. E se, nos seus tempos primordiais, o impacto era meramente social, nos dias que correm começam a ter impacto na vida profissional das pessoas.

Não raras vezes nos deparamos com notícias sobre candidatos a emprego que não foram aceites devido à informação que exibem no Facebook, ou sobre trabalhadores de determinada empresa que são despedidos por transmitirem, nas redes sociais, uma imagem negativa dos seus empregadores. Já chegámos, inclusive, ao ponto em que as próprias empresas que se encontram em processo de recrutamento escrutinam a vida online das pessoas para, com essa informação, ponderarem sobre os possíveis riscos de uma contratação efetiva. Isto significa que a ideia generalizada de inocência que tínhamos sobre as redes sociais e a informação que nelas creditávamos está, forçosamente, a mudar. Ninguém quer ser confrontado, com 30 anos de vida e a concorrer a uma vaga de emprego, com os desvairos que cometeu na sua juventude e que publicou online. E muito menos que essa informação seja trazida ao palco da atualidade para escrutínio do possível empregador. No entanto, essa informação persiste e está, de certa forma, acessível.

Ora, se, em relação a este cenário, podemos fazer alguma coisa de forma preventiva, em relação ao que já está feito pouco haverá a fazer. A não ser que se opte pela eliminação total das contas, a maior parte das redes não facilita a remoção individual e escalpelizada da informação ou, sequer, a sua pesquisa eficaz. E mesmo a remoção completa não implica a eliminação definitiva dos dados que, de acordo com algumas das mais conhecidas redes sociais, pode ficar nos seus servidores, ainda que inacessível por terceiros.

Resolvida essa questão, outras permanecem: se queremos de facto ter a nossa informação online, partilhada com algumas pessoas selecionadas, quem nos garante a sua integral confidencialidade? E, admitindo que a questão da privacidade seria um tema para outro tipo de debate, que direito terão as empresas de aceder a essa informação ou de a usar relativamente a nós? Sabendo que a nossa liberdade acaba onde começa a dos outros, o que poderá, efetivamente, ser feito para a preservar sem que nos afete?!

Certamente uma boa dose de bom senso será o primeiro passo para controlar o teor da informação que colocamos no mundo da Internet mas essa medida sozinha não bastará. Este tipo de autocensura será, certamente, limitativa numa era que muito se fala de liberdade e onde, contudo, muito está a ser feito contra ela.