Miguel Fernandes de Oliveira – Executive Partner da PacSis em Espanha

Miguel Oliveira

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Como vão as marcas acompanhar a revolução “Mobile”? Ativações de marca Web Responsive Vs APP Nativas

A tecnologia e a sua utilização pelos consumidores estão a evoluir a um ritmo cada vez mais acelerado. Assim, o maior desafio das marcas passa por acompanhar este mundo em constante mudança.

Um dos pontos de inflexão neste momento é a escolha entre Web Responsive e APP, já que o ambiente “Mobile” está a ganhar cada vez mais preponderância na nossa vida enquanto utilizadores. Alguns exemplos da sua atual importância são a alteração que a Google implementou no seu algoritmo em maio de 2015, que privilegia as páginas web responsive no seu motor de busca. Assim como mais de 50% dos acessos por parte dos consumidores nas nossas campanhas promocionais são já mobile, no caso de targets mais jovens de mais de 75% (dados PacSis 2015).

A Samsung avançava também este ano, que mais de metade dos portugueses tem pelo menos um tablet em casa e quase metade utilizam tablets diariamente sendo que as pesquisas online figuram entre as principais utilizações dos tablets, conquistando uma percentagem de 63% das pessoas. Em casa, o foco são o acesso às redes sociais (75,4%), para procurar produtos ou serviços (54,1%) ou para os adquirir ou contratar efetivamente (26%). E a Marktest referia que em 2014 cerca de 1,3 milhões de portugueses descarregaram apps grátis para os telemóveis.

Para aprofundar um pouco mais esta reflexão, vou focá-la nas marcas de grande consumo, baseado numa experiência de mais de 20 anos em atividades promocionais no mundo físico e digital com mais de 100 clientes e 1.000 marcas (Unilever; McDonald’s; L’Oréal, Lego; Philip Morris; Danone; Affinitty Pet Care; Nestlé;…).

Em primeiro lugar, para a escolha da estratégia mais adequada, as marcas devem ter bem claro uma série de realidades: o seu ponto de partida, as limitações/trunfos e os seus objetivos.

E uma boa forma de tornar tudo mais claro é conseguir responder a um conjunto de questões, divididas entre mais abrangentes e mais específicas.

Abrangentes como: Qual é a procura/necessidades dos consumidores do segmento? O que está a concorrência a fazer? Que tipo de “parcerias” (distribuição, outras marcas, serviços complementares…) podem potenciar a sua marca?

Específicas como: Este é um projecto isolado ou tem continuidade? Qual é a relevância para os consumidores – periodicidade, funcionalidades, ou seja – a interatividade esperada? É necessário aceder a funcionalidades do dispositivo – GPS, armazenamento, agenda, câmara…)? As notificações “push” da sua marca ou campanha são relevantes para o seu consumidor? Qual o target a que se dirige? Qual é a importância de optimizar ao máximo o ”consumer journey”? Qual o budget disponível?

Poderão existir outras perguntas que têm origem na especificidade de cada marca e/ou projecto.

Em segundo lugar, devemos criar uma lista das principais funcionalidades/limitações de Web Responsive e APP Nativas que nos ajudarão a melhor definir cada uma.

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Existem várias vantagens e inconvenientes para cada solução – como em tudo na vida!

Em terceiro lugar, devemos fazer a escolha em função da análise aos dois pontos anteriores.

Agora, imagine que já é possível não escolher em muitos projetos – entre Web Responsive e APP Nativa… Nos últimos tempos desenvolveu-se uma tecnologia – Web APP Híbrida – que permite reunir características das anteriores (WEB Responsive/APP Nativa) e assim facultar o melhor dos dois mundos.

Esta aplicação – Web APP Híbrida – desenvolve-se com linguagens HTML, Javascript e CSS, o que permite o uso de diferentes plataformas e o acesso a grande parte das funcionalidades do dispositivo mobile. Além disso, é possível agrupar os códigos e distribuí-la nas APP Stores – normalmente através de ferramentas como Cordova ou PhoneGap.

Com tudo isto, e genericamente, numa Web APP Híbrida, consegue beneficiar-se de quase tudo o que é oferecido por uma APP Nativa, e por um custo de desenvolvimento mais baixo e uma maior flexibilidade de implementação.

Nunca é demais referir que, em cada projeto devemos avaliar o seu enquadramento, antes de tomar a melhor decisão – e podemos fazê-lo de uma das três formas de que falámos anteriormente.

Do que não existem dúvidas, é que o ambiente mobile está a mudar o mundo da comunicação, e a interação entre as marcas e os seus consumidores. Assim, a escolha do modo como as marcas interagem com os seus consumidores é um tema incontornável nos dias que correm.