Instagram – Uma história de sucesso

A opinião de Manuel Falcão

Uma das coisas mais impressionantes dos anos mais recentes é a velocidade com que se propagam e se tornam imensamente populares algumas aplicações. O Instagram é um dos mais evidentes casos de sucesso. Criado em Outubro de 2010, em São Francisco, menos de dois anos depois, em Abril de 2012, foi comprado pelo Facebook por mil milhões de dolares. Kevin Systrom e Mike Krieger foram os autores do Instagram, que arrancaram para o projecto praticamente sem capital. Em Fevereiro de 2011 a empresa anunciou que tinha recebido 7,5 milhões de dolares de investidores e nessa altura já era considerada a aplicação para iPhone com maior potencial de crescimento. Mark Zuckerberg decidiu comprá-la antes ainda de ter lançado o seu Facebook na bolsa. E de onde vem o nome Instagram? – Da junção de instant camera com telegram.

O Instagram é uma história de sucesso: baseia-se no conceito de partilhar imagens, com pouco texto. Os seus utilizadofres podem escolher entre terem as suas fotografias disponíveis para o público em geral ou apenas para quem eles autorizarem. Inicialmente permitia apenas fotos num formato quadrangular, como as antigas Polaroid ou as Kodak Instamatic, mas no ano passado permitiu os formatos convenciais rectangulares e também a divulgação de videos curtos. A popularização das “selfies” deveu-se em grande parte ao Instagram e hoje em dia tornou-se um hábito rotineiro – até na política.

A compra pelo Facebook, com quem o Instagram passou a poder sincronizar-se directamente de forma muito fácil, abriu um novo universo de utilizadores. O Instagram passou a ser a aplicação preferida pelos jovens para partilharem os seus momentos, mas também pelas grandes estrelas da pop music, da moda, do cinema e da televisão, por fotojornalistas e, claro, por marcas – desde marcas de comunicação, como jornais, até produtos de grande consumo e automóveis. Inevitavelmente, desde finais de 2014 o Instagram passou a aceitar publicidade.

Do ponto de vista demográfico há um ligeiro predomínio de mulheres e os seus utilizadores estão repartidos em partes iguais entre os sistemas operativos iOs e Android. Em todo o mundo o Instagram tem actualmente mais de 400 milhões de utilizadores mensais activos, 75% dos quais estão fora dos Estados Unidos. Há 80 milhões de fotografias partilhadas diariamente na rede, que geram, 3,5 mil milhões de likes por dia. Os número são impressionantes: só em Portugal existem actualmente cerca de 1,5 milhões de utilizadores, dos quais 950 mil utilizam a aplicação diariamente.

O potencial de comunicação da rede, sobretudo nos segmentos demográficos mais jovens, é enorme e a sua eficácia está comprovada. Se é verdade que algumas notícias nascem no twitter, tornou-se também já habitual que as primeiras imagens marcantes da actualidade apareçam imediatamente no Instagram. Ali nasceram aliás projectos fotográficos – desde reportagens sobre um país ou sobre uma região, até galerias de retratos de pessoas anónimas com as suas histórias resumidas a acompanhar.

Além dos smartphones, qualquer imagem obtida numa máquina fotográfica digital pode ser partilhada facilmente no Instagram, a partir de um smartphone ou de um tablet. Em muito pouco tempo, pouco mais de cinco anos, o Instagram suplantou todas as anteriores aplicações de partilha de fotografias e tornou-se uma rede social com caracteristicas próprias e um público bem definido. Uma tentação para quem quer comunicar utilizando a imagem. E um dos grandes trunfos do Facebook na guerra que trava com a Google.

 Manuel Falcão, Diretor geral Nova Expressão