Está pronto para o poder do Cupido?

Marta Gonçalves

Quando abordamos hoje o modo de chegar aos públicos no contexto do marketing torna-se impossível escapar ao papel do content marketing e, cada vez mais, ao destaque dado ao storytelling. Confrontados com a presença tão notória destes conceitos no ato de comunicar, qual é realmente a importância de nos conseguirmos tornar “contadores de histórias” e como responde o público a uma comunicação neste contexto?

O marketing enquanto disciplina exige uma boa dose de criatividade – e não apenas no que ao conteúdo diz respeito. A capacidade para contar histórias impactantes é o grande desafio no content marketing, conseguindo passar uma mensagem sem cairmos na tentação de tentar pura e simplesmente ter sempre algo para dizer, arriscando tornarmo-nos aborrecidos, redundantes ou, o que é pior, irrelevantes aos olhos do nosso público.

A grande questão quando nos referimos ao storytelling é que se trata de uma ação de um único sentido, com a marca a ser a única com uma voz na interação criada. A evolução faz-se agora rumo a marcas mais abertas à comunidade, que vão além do storytelling para chegar ao que podemos designar por “storymaking”, em que o objetivo passa por partilhar as histórias que os clientes contam acerca de nós.

Quer o “storymaking” seja considerado a próxima evolução no storytelling ou seja entendido como uma redefinição do modo como as marcas comunicam com o seu público, esta estratégia permite às marcas transformar os seus clientes em criadores de conteúdos – e neste processo potenciar a sua visibilidade e impacto.

Isto significa reunir histórias de como a marca se tornou parte da experiência do cliente e de que modo é relevante. No lugar de uma estratégia de comunicação apenas com um sentido, em que a marca cria um monólogo que partilha com o seu público, criamos o espaço para uma relação mais inclusiva e colaborativa. Para que esta evolução aconteça, a marca deve conhecer a experiência e relação dos seus clientes com os seus produtos ou serviços, com a sua mensagem e as pessoas que a constituem.

Não é uma surpresa que um produto como a GoPro esteja na dianteira da mudança relativamente ao storymaking. A marca modificou o panorama da fotografia e do vídeo quando criou um produto criado à medida para capturar os momentos mais extraordinários dos seus utilizadores. A GoPro tornou-se numa das marcas mais populares em social media devido ao seu conteúdo visual, quase na totalidade capturado pelo seu público apaixonado. A GoPro coloca os seus clientes num pedestal, partilhando o seu conteúdo no Instagram, Facebook, YouTube e noutras plataformas da marca, permitindo que contem a sua história em vez de ser a mesma a investir em divulgação. O sucesso na comunicação efetuada é um exemplo da criação de um produto que permite ao público interagir com a marca de um modo original.

Não querendo reduzir a questão ao básico lanço-lhe um desafio: antes de comunicar saia para a rua e conheça o seu público o suficiente para conhecer as suas histórias. Prepare o arco, impregne a flecha daquilo que dizem de si e prepare-se para o impacto do Cupido.

Marta Gonçalves

Managing Partner Say U Consulting