Gun Crazy. Esta campanha tem bolinha vermelha. Sabe porquê?

“Go ahead punk make my day”. Certamente na sua cabeça já completou com o nome do filme e a personagem que a profere: Dirty Harry. A personagem aguerrida e a sua Magnum 45 foram glorificadas em inúmeros filmes.

E não faltam Dirty Harry’s nas películas. Há uma glorificação das armas nos filmes de Hollywood e não só, isto apesar de todos os anos 32 mil americanos serem mortos em tiroteios e por armas. É essa glorificação vs a realidade das armas e do seu trágico impacto na vida das pessoas que mais uma vez João Coutinho & Marco Pupo, da Grey de Nova Iorque, abordam na mais recente campanha para a ONG States United to Prevent Gun Violence: Gun Crazy.

A entrada da dupla surgiu a convite de Rob Lenois, executive creative director da Grey de Nova Iorque. “Foi o Rob Lenois que nos convidou e nós chamamos o Daniel Soares e o Andre Bittar, que são do nosso grupo”, conta João Coutinho ao Dinheiro Vivo. Ao todo Gun Crazy envolveu seis criativos – ao grupo juntou-se Rob Perillo – para desenvolver uma ideia que é um murro no estômago. Se Guns with History perturbava pelas histórias de vidas interrompidas que evocava, Gun Crazy torna-as visíveis.

A equipa criou um filme com cerca de 30 minutos que exibiu numa sala de cinema em Manhattam, perante uma plateia de amantes de filmes de ação. “Convidamos as pessoas a assistir um blockbuster novo, um filme lotado de armas para os loucos por armas, dizendo: é o filme mais violento da década”, conta Marco Pupo. Para tornar a experiência o mais próxima de uma ida ao cinema foram criados posters, um trailler. Chegam convictos que vão ver um filme. Meia hora depois tudo muda. “O insight é sobre como a cultura americana glorifica as armas, mas depois de as ver como elas realmente são, as reações das pessoas é o que se vê”, refere João Coutinho.

guncrazy

Ninguém fica indiferente aquela meia hora de imagens de cenas de crimes reais. Tudo encontrado na internet. “Tem de tudo. Alguns são vídeos de canais de TV, outros de arquivos policiais… Outros são de smartphones”, conta Pupo. “Tivemos o apoio da Uppercut, uma empresa de edição. Eles buscaram muito do conteúdo e ajudaram-nos a montar o filme”, conta.

Câmaras ocultas registam as reações das pessoas no cinema. Surpresa, espanto, desconforto… alguns encolhem-se nas cadeiras. Escondem os olhos com os bonés. Reações viscerais que mal foram digeridas quando lá fora são confrontados com o ‘blockbuster’ demasiado real.

“Só em 2015, tivemos quase tantos tiroteios em massa como dias do ano”, disse said Julia Wyman, executive director of States United to Prevent Gun Violence em comunicado. “O nosso objetivo com Gun Cray é mostrar que como sociedade temos de nos voltar a sensibilizar com as consequências da violência com armas”.