FT corta custos para enfrentar “condições comerciais assustadoras”

O Financial Times prepara-se para cortar nos seus custos operacionais a braços com “condições comerciais assustadoras”, segundo o Politico, que cita nota interna enviada aos colaboradores do jornal britânico.

Guardian, The Independent e Times são outros media britânicos que nas últimas semanas têm anunciado planos de reestruturação para enfrentar a quebra de receitas publicitárias e de vendas no sector.

“Estamos a enfrentar condições comerciais assustadoras em 2016”, disse o diretor James Lamont, em nota interna citada pelo Politico. Para isso o jornal prepara-se para realizar cortes em várias áreas: vão atrasar a substituição de quadros, despesas com viagens e outras serão reduzidas, colaboradores externos só serão usados quando “estritamente necessário”, e haverá maior pressão para simplificar a produção da edição em papel.

Uma medida de antecipação, num momento em que a equipa comercial do jornal “está a preparar-se para meses difíceis”. “É melhor tomar medidas de precaução do que nos encontrarmos na situação de termos de recuperar terreno no final do ano se as condições comerciais não melhorarem”, disse o responsável citado pelo Politico. “Iremos rever o nosso desempenho no final do segundo trimestre”, diz.

O alerta surpreendeu, na medida em que o FT era considerado um dos media que estava a conseguir navegar com sucesso as águas digitais. O ano passado o jornal tinha 566 mil assinantes da edição digital, aumentando 8% as vendas do jornal para 780 mil. Mas a edição em papel não dá sinais animadores. Aqui a publicidade “foi mais fraca do que o esperado no primeiro trimestre do ano”.

O Guardian já anunciou planos para o corte de 250 postos de trabalho e o The Independent acabou com as edições em papel. Mas mesmo do digital os sinais são preocupantes. O BuzzFeed cortou para metade as previsões de receitas para este ano, recordou James Lamont.