Quando o ativismo é o marketing

Há uma pequena empresa a operar nos EUA que, com apenas 150 trabalhadores e um produto apenas, conseguiu um aumento de 126% nas suas vendas em cinco anos, alcançado perto de 100 milhões de dólares de faturação em 2015. O produto é sabonete, e a empresa é a Dr. Bronner’s. Há alguns fatores que distinguem o produto, nomeadamente a utilização de matérias-primas premium e de origem certificada e sustentável, mas a razão aparente para o sucesso da marca em anos recentes reside na etiqueta.

Ao longo dos frascos de sabonete podem ser lidas mensagens de paz e amor, escritas de forma semi-coerente, que são da autoria do próprio Dr. Bronner, já falecido. Um judeu alemão que foi perseguido por Hitler, o Dr. Bronner – que nem sequer era médico – sustentava a sua viagem itinerante pelos EUA do pós guerra com a venda destes sabonetes líquidos artesanais, permitindo-lhe continuar a espalhar a sua mensagem pacifista e de evolução meditativa.

Os sabonetes conquistaram o público, ainda que a mensagem nem sempre ficasse gravada nos corações.

Hoje em dia a empresa, gerida pelo neto, utiliza a essência dessa mensagem para dar uma certa aura de “boticário vintage” aos produtos. O público parece adorar, com alguns famosos a defenderem as qualidades superiores dos sabonetes.

O que é certo é que o ativismo que a marca promove em campos como a igualdade de remuneração salarial, a reforma da legislação sobre emigração, o desenvolvimento sustentável das florestas e terras de cultivo, entre outras, acabam por se tornar numa estratégia de marketing bastante eficaz. Que por sua vez se reverte em vendas, que por sua vez se reverte em financiamento para as causas que a marca defende. Um ciclo bastante positivo, e pelos vistos, o sabão também é bastante bom.