Credibilidade e publicidade nos media, num mundo de fake news

O fenómeno das fake news está a inundar o mundo dos media noticiosos, e nomes de referência como The Guardian, The Telegraph, assim como publicações viradas para os campos do Marketing e da publicidade, analisam a forma como a percepção da realidade pode estar em causa.

Um artigo recente da Marketing Week faz uma análise deste fenómeno, destacando a forma como estes poços de dúvida trazem implicações óbvias para os media de informação, colocando a sua credibilidade em jogo. Afinal, onde está a verdade? Será assim tão simples distinguir um conteúdo verdadeiro de um falso? Não, não o é.

Mas, onde e como é que estas fake news ganham tanta visibilidade? Em grande parte, nas redes sociais, através das partilhas que se multiplicam. Independentemente da motivação, a partilha é um “passa palavra” muito eficaz que faz com que a notícia se torne viral.

Apesar de global, em 2016 este fenómeno teve um grande impacto nos Estados Unidos da América e no Reino Unido, acabando contribuir para a agitação política e social vivida nestes países, nos últimos tempos.

Numa análise geral, quase metade (47%) dos consumidores de media fazem uma análise e triagem crítica daquilo que consomem, ponderando sobre a sua veracidade. A mesma percentagem atribui mais credibilidade a meios tradicionais, como os jornais e os canais de televisão, do que aos media online e redes sociais. No entanto, e apesar de o fazerem uma forma inconsciente, 75% não faz essa triagem, acreditando em tudo e alimentando este ciclo vicioso.

Mas, que implicações traz esta nova realidade à publicidade?

Segundo Dominic Carter, diretor comercial da News UK, o verdadeiro problema que está a afetar os media não são as fake news. O problema está em fazer com que os anunciantes compreendam e valorizem as verdadeiras marcas de comunicação, independentemente da preferência das audiências. O verdadeiro perigo está na possibilidade dos anunciantes darem mais importância aos números de visitação do que à credibilidade.

Numa análise levada a cabo pelo The World Media Group (WMG), as estatísticas mostram que é nos websites de marcas de media noticiosos como o The Washington Post, Bloomberg Media, The Economist, Forbes, Fortune, National Geographic, Newsweek, The New York Times, Time e o The Wall Street Journal, que os consumidores dedicam mais tempo ao consumo de anúncios.

Através deste estudo, é visível que anunciantes e consumidores procuram e valorizam os media a que atribuem mais credibilidade.

No mundo digital, o contexto é vital para as marcas. Existindo o perigo das marcas serem conotadas com as fake news, webites de terrorismo ou apenas sites de origem duvidosa, as marcas têm muito mais a ganhar estando associadas aos media que já conquistaram credibilidade junto dos consumidores, do que associando-se a simples “fábricas de cliques”.