Beatles: Como um álbum de música foi afinal um golpe de marketing

Numa altura em que se comemoram 50 anos desde o lançamento do álbum “Sgt. Pepper”, dos lendários Beatles, há lições que se podem tirar do que foi, afinal, uma eficaz jogada de publicidade e marketing.

De acordo com um artigo da Forbes, mais do que um produto artístico, “Sgt. Pepper” deve ser analisado como uma hábil técnica de branding.

Hoje em dia, acredita-se que o branding não deve ser só o conceito da marca, mas sobretudo o conceito que inspira tudo o que a marca desenvolve. Assim, as ações de uma companhia devem ser fundamentadas e consistentes, seguindo o conceito que as distingue no mercado. Vestidos com casacos de inspiração militar e de bigode, os Beatles criaram alter-egos para o lançamento de “Sgt. Pepper”, o que lhes deu liberdade para romper com o seu estilo musical e reinventar a sua marca, num registo mais original e arrojado. Esse “re-branding” valeu à banda o reconhecimento do álbum como uma verdadeira revolução musical.

Como o distanciamento pode aumentar a criatividade

Quando os Beatles decidiram criar alter-egos, permitiram-se a compor música e escrever letras como se não fossem eles mesmos, os famosos Paul McCartney, John Lennon e companhia, mas apenas como simples músicos em busca de novos êxitos. Criar um distanciamento em relação às suas personalidades, ambientes e o tempo em que viviam permitiu-lhes romper com o habitual, um registo musical sobejamente conhecido. Esta é, afinal, uma boa técnica que se pode levar para o marketing e publicidade.

Por outro lado, a célebre banda britânica descobriu também que a inspiração pode estar em qualquer lado – a música “A Day In the Life” começa com o verso “Li as notícias hoje” e de seguida descreve um acidente de viação. A inspiração para esta música foi, de facto, um artigo de jornal sobre um acidente de carro. Entre a população do Reino Unido que leu a notícia, esta apenas inspirou os Beatles. Deste modo, prova-se assim que informação que parece irrelevante pode afinal mover um bom processo criativo, pelo que é importante estar atento. Esta é uma prática com assinatura dos Beatles que os marketeers devem ter em conta nas ações da sua companhia.

Prender-se a uma ideia pode destruir a criatividade

Quando Paul McCartney começou a compor a música “Getting Better”, a ideia era que seria uma música cheia de optimismo. Contudo, John Lennon acabou por lhe dar um toque diferente, acrescentando o verso “Não podia ficar pior” ao refrão. Paul podia ter acusado John de desvirtuar a sua ideia da música, mas em vez disso aceitou a sugestão – afinal, aquela pequena nuance mais negativa acabou por tornar “Getting Better” mais interessante, provando que quando nos prendemos demasiado a uma ideia, limitamos um processo que podia levar a criatividade um passo mais à frente. Mais um segredo que os marketeers devem apontar nos seus caderninhos.