Deve o marketing ressuscitar os mortos?

Quando, em 2013, os chocolates Galaxy recuperaram a beleza de Audrey Hepburn, em CGI, para um anúncio televisivo, e no mesmo ano, a marca de whisky de Johnny Walker fazia um anúncio com o famoso lema “Sê como a água” de Bruce Lee, ambas as companhias precisaram obviamente de pedir autorização às famílias e representantes das celebridades falecidas, para as fazer “ressuscitar” nas suas campanhas. Segundo um artigo do site The Drum, devido às possibilidades da tecnologia de hoje em dia, este tipo de campanhas podem ser cada vez mais frequentes.

De facto, se ao nível da publicidade se colocam questões ao nível da ética, sobre se deve ser permitido fazer uso da imagem de famosos já falecidos, em Hollywood esta prática não levanta polémicas. Recentemente, após a morte de Paul Walker, a sua imagem voltou a ser usada na saga que o celebrizou, “Velozes e Furiosos”, e o ator Peter Cushing, famoso pela personagem do preverso Governador Tarkin de Star Wars e falecido em 1993, voltou a aparecer num filme Stars Wars em 2016, “Rogue One”, também através de técnicas de CGI.

Segundo os criativos da campanha da Galaxy com Audrey Hepburn como protagonista, tudo se resume ao bom senso. “Discutimos se seria apropriado e por outro lado, se conseguiríamos um resultado autêntico. Não diria que ficou perfeito, mas foi um verdadeiro passo em frente”, comentou William Bartlett, responsável pelos efeitos especiais da campanha. A chave é, também, segundo o criativo, encontrar o ator “perfeito” para representar estas figuras tão imponentes do nosso passado. “Obviamente é um processo complicado e caro, mas tudo se resume à performance, que tornou estas celebridades tão famosas. Não conseguimos um bom resultado de graça. É difícil atingir uma performance autêntica”.